quarta-feira, janeiro 30, 2008

Filmes em revista sumária # 77


O tema de «Rendition», ‘sabiamente’ traduzido por «Detenção Secreta», é um pouco estafado e já estamos todos um pouco cansados das peripécias mais ou menos escabrosas da espionagem norte-americana no Médio Oriente, etc. O filme prossegue muitos outros filmes como rescaldo do 11 de Setembro, e traz de volta essa imensa qualidade do povo americano, quiçá reflexo maior de uma democracia inigualável: a autocrítica.

Enquanto filme de espionagem, acção de trama policial, de recurso aos bastidores dos ‘maus do costume’ (CIA, senadores e assessores de senadores, etc.) é por demais estereotipado, embora haja alguma força narrativa nas sequências passadas no país árabe ‘anónimo’. Culpa do imenso talento de Jake Gyllenhaal, um actor que me faz dar o braço a torcer, saído que está da letargia expressiva dos primeiros filmes.

Sábado à tarde, no Palácio Foz:






Mais um incontornável da Disney, desta vez «O Livro da Selva» (1967).

Vi-o no Eden, nesse mítico templo do cinema, labirinto arquitectónico cujas enchentes serão sempre inesquecíveis, como inesquecíveis serão as suas cadeiras (parte delas hoje no teatro dos Salesianos do Estoril!), o seu foyer e as suas escadarias, hoje abandonadas para nossa vergonha.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Obituário: Bobby Fischer (1943-2008)


As minhas desculpas pelo atraso, sobretudo a todos os amantes do xadrez, começando pelo bom amigo AA, a quem roubo descaradamente o link para as partidas do campeão. Dir-me-ão que estou perdoado porque também cumpri um «minuto» de silêncio. Mas não, não tenho perdão por me ter esquecido.

Meu Pai afirmava que para ele só 3 xadrezistas contavam: Capablanca, Alekhine e Fisher. Eu sempre só vi Karpov. Outros há que só vêem (viam) Kasparov. Não sei e nunca vou saber. Tal como nunca vou saber porque razão era impossível não perdoar a Fisher os seus excessos e desvios de personalidade. Terá sido porque era um génio?

Filmes em revista sumária # 76


Jesse James, Buffalo Bill, etc., fazem parte daquela galeria de heróis-vilões do Oeste americano e são presença obrigatória nos compêndios históricos dados às criancinhas norte-americanas por contraponto aos heróis do Velho Mundo, também eles, quantas vezes, heróis e vilões mais populares que os sábios, inventores, criadores, etc., etc. Por sinal, figuras privilegiadas no imaginário cinéfilo desde a criação daquela que convencionou chamar de 7º Arte. Por sinal, ainda, raras vezes essas figuras, ou os poucos dados históricos e verdadeiros que delas nos chegaram, chegam a ser transpostos para a tela na sua plenitude. Quase sempre a adaptação sabe a pouco, outras vezes roça a elegia bacoca. Não é esse o caso de «The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford».

Lentidão à parte e descontados alguns exageros pseudo-artísticos do Sr. Dominik, e mesmo algum sono inevitável quiçá devido ao monocromatismo do filme e do mimetismo falhado de Pitt; este filme nunca deixa de ser aquilo que é: um bom western, feito com sinceridade e honestidade, não tanto como homenagem biopic ao vilão-herói mas como acto de justiça ao cobarde-vilão, e um passo importante na carreira ascendente, sem pressas e merecida, do mano Affleck. O filme tem semelhanças com os produtos directed by Malick, mas nada de grave. O filme teria ganho muito mais se a presença de Sam Sheppard tivesse sido mais demorada. A fotografia é deslumbrante.

Odi Profanum vulgus!

Como era sábio Horácio ao felicitar-se a si próprio por desprezar os aplausos dos vulgos ignorantes.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

E a normalidade voltou ao ténis

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Filmes em revista sumária # 75


«Expiação» é, claramente, um filme bonito, romântico e novelesco. No bom sentido, no mau sentido? A culpa será da escrita de Ian McEwan, versão menor de Somerset Maughan? Da clara divisão do filme em dois, em que a primeira parte surpreende os mais habitués do género, com uma montagem «moderna» e alguns planos arty inesperados; e uma segunda parte lamechas, foto-novelesca, de puxar fácil à lágrima, e com clichés inevitáveis?

O certo é que ninguém poderá ficar indiferente à excelência de Keira (eu, renitente, me confesso - mil desculpas, PM), que nos dá, em três ou quatro cenas, com a ajuda do realizador, Joe Wright, por certo, um bouquet digno de figurar, per si, na cerimónia dos Óscares (ela e mais o director de fotografia, o responsável pela montagem e o director artístico): a cena junto à fonte; a pose, na prancha do lago; o «exercício de espaldar», na biblioteca, e, aquele close-up em que Keira pede a James McAvoy que regresse para ela, sussurrando-lhe ao ouvido, com olhares e gestos calibrados ao milímetro.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Enquanto o ritmo não muda ...


Aqui fica uma passeata ao museu, e outras coisas mais, na companhia da amiga do peito, Angie Dickinson, de «Dressed to Kill»

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Obituário: Heather Ledger (1979-2008)


Morte estúpida, estúpida.

Texto editado, graças aos comentários de bom anónimo.

«The Black Swan» (1942)




Jamie: You can lower your pistols, Lady Margaret.
Margaret Denby: Unfortunately, I have no pistols.
Jamie: Your eyes. I've looked into pistol barrels that are warmer.

O cinema de aventuras de Henry King e Tyrone Power, com uma maravilhosa Maureen O'Hara, e uma batalha naval espantosa, entre tiros de canhão, abordagens e muita pirataria. A curiosidade maior é ver como Mr. George Sanders compõe um William Leech perfeito.

Federico a Carla, em The Appointment» (1969):


I give you everything, I give you my eyes, my arms. I hate the past, the past without you...

Um filme magnífico de Lumet e um dos melhores jamais feitos sobre o ciúme. Anouk Aimée em todo o seu esplendor, e uma música de John Barry que não me canso de escutar. Um dos poucos atractivos numa TCM que os responsáveis pela TV Cabo insistem em ter a pior programação da TCM em toda a Europa, não estivessemos nós em Portugal.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Sábado, na Cinemateca, à tarde:


ORLACS HÄNDE (As Mãos de Orlac), de Robert Wiene, 1924.

«Um filme importante no rico cinema alemão dos anos 20, com uma história que tem um cariz um tanto fantástico, mas uma encenação bastante realista. Um pianista perde as duas mãos num acidente e um cirurgião enxerta-lhe as mãos de um criminoso. O homem deixa de tocar piano e sente-se atraído pelo crime. Um crítico alemão da época considerou-o um exemplo de um estilo “fantástico objectivo”. A história voltaria a ser filmada duas vezes, nos EUA em 1935 (com Peter Lorre) e em França em 1960 (com Mel Ferrer).»

E eu diria ainda mais: um dos filmes que fazem parte do legado máximo do actor-ícone Veidt, do cinema alemão do Mudo e de Wiene, sempre tão desprezado nos compêndios da especialidade. Imperdível, portanto.

Eis os nomeados aos Óscares deste ano

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segunda-feira, janeiro 21, 2008

A prateleira de Chato


Chegou a 25 de Dezembro, directamente das filmagens do longínquo «Chato’s Land», personagem central a que Bronson havia de dar corpo e fama em todos os écrans de 72-73. É da Timpo, e faz-se acompanhar por um totem a Manitú e dois cactos. Fabuloso, na prateleira.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Festival de Sundance

Começou o melhor festival de cinema independente do mundo. Tudo aqui. Obrigado, Robert Redford.

Filmes em revista sumária # 74


Woody Allen tem de tal maneira o seu público fiel (já fui mais, já fui menos) e já está tão habituado ao piloto-automático que nunca, ou quase nunca, há espaço para desilusão de quem espera por cada uma das suas obras, apenas lugar a um suspiro quando a coisa podia ter corrido melhor do que correu. É o que acontece com «Sonho de Cassandra», segundo filme realizado em Londres pelo autor de «Annie Hall», desta vez todo de negro, humor, bem entendido, nada de gags ou discursos mais ou menos metafísicos e mirabolantes sobre Deus, os judeus e sexo.

Desta vez a coisa é a sério e bem sério: dois manos – os fabulosos Colin Farrel e Ewan McGregor – decidem materializar um sonho e comprar um iate, que dá nome ao filme, mas o sonho vira pesadelo, mal os dois põem o pé no convés; a culpa? é do tio – um soberbo Tom Wilkinson . O filme tem um argumento simples, assente numa narrativa linear e em diálogos leves, certeiros e traiçoeiros. Podia ser um filme muito melhor, mas o tal qual está, está q.b., para Woody Allen, claro, de quem esperamos sempre a excelência.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

«Windmills of your mind»


Ecoavam no corredor da minha estação do Metro, em versão instrumental pimba. Mau sinal, agora que ando desesperadamente em busca da banda sonora de «The Thomas Crown Affair», de 1968?

«Memória», de Jean Meslier

«Jean Meslier (1664-1729), padre sem Deus, dedicou-se durante toda a vida a um ritual para ele desprovido de sentido: dirigir as suas orações a um céu vazio, pronunciar palavras sem qualquer conteúdo, rezar uma missa de pura convenção ou administrar sacramentos como se não passassem de macaquices... De regresso a casa, no seu presbitério rodeado de bosques e campos lavrados, todas as noites redigia, à luz da vela, um requisitório contra a ordem «detestável» cuja destruição desejava com todas as suas forças».

Reza assim a nota introdutória da edição cuidada, da refractária Antígona. Que melhor substituto do que este para o fascinante Golem, agora que obteve a redenção por meio de um chapéu que não era o seu, perdido entre duas dimensões?

terça-feira, janeiro 15, 2008

Perdoem-me se pareço o Speedy, prometo demorar, em breve

Filmes em revista sumária # 73


Em «Charlie Wilson’s War» (desta vez não podemos chamar avis rara a quem traduziu o título para «Jogos de Poder»!), o veterano Mike Nichols mostra-nos mais uma vez o seu talento enquanto argumentista e director de actores; mais uma vez perto da intriga política e dos políticos que nos governam; mais uma vez longe do intimismo explosivo de «The Graduate» ou «Carnal Knowledge». Aliado a isto há sátira, excelentes diálogos, três actores-amuleto: Hanks, Seymour-Hoffman e Roberts, e a «verdade histórica». Tudo somado: garantia de sucesso.

Há duas cenas prodigiosas em todo o filme, sendo a primeira aquela em que Hanks e Seymour-Hoffman (e que tremendo actor de composição ele é!) se conhecem, num jogo de portas e entrada e saída do gabinete a lembrar Lubitsch; e a segunda, a da casa de banho em que Roberts e Hanks discorrem sobre armas e geo-política da forma mais erótica dos últimos anos. Uma dúvida se me levantou no final do filme: quantos mais acontecimentos mundiais se terão passado daquela maneira trapalhona e surreal?

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Relax

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Em vez de ir à Ajuda, prefiro refastelar-me com Sokurov:

Amanhã:


Huxley, ou Shakespeare? Espero que o segundo.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Na mesa de cabeceira, o Golem perto do fim





Como parece que vem aí uma remake,


Há que rever com muita atenção o primeiro, o fabuloso «The Taking of Pelham One Two Three », de 1974:



Mr. Blue: I once had a man shot for talking to me like that.
Mr. Gray: Yeah, well, that's the difference between you and me. I've always done my own killing.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Nicole está de esperanças!

«LOS ANGELES — Nicole Kidman and Keith Urban are expecting their first child together.

The news was announced Monday by Kidman's publicist, Catherine Olim. It was also posted on Urban's Web site. "The couple are thrilled," Olim said. Kidman and Urban are in Sydney, Australia, where the 40-year-old actress has been working on Baz Luhrmann's epic romance, "Australia." She was due to start filming for Stephen Daldry's post-World War II drama, "The Reader," later this month, but her Australian publicist, Wendy Day, said she understands Kidman has withdrawn from the movie because of her pregnancy. A call to the Weinstein Co., which is producing "The Reader," wasn't immediately returned.

Speculation had been increasing in recent weeks over Kidman's maternal condition. "For years I've seen speculation and for years it's never been right, so I didn't think it was right this time," Day said. "And then she's just rung this morning." Urban, a Grammy-winning singer and guitarist raised in Australia, and Kidman were married in June 2006. (...) She recently told Vanity Fair magazine she had a miscarriage early in her relationship with Cruise, leading them to adopt. "I feel enormous love for whoever my children's birthparents are," Kidman told Ladies' Home Journal in 2006. "And if my children choose to go find them at some stage, I can't wait. Because -- it's the weirdest thing -- I actually feel (they're) very connected to us as a big, strange family, and whether they choose to search for them or not, who knows....
»

Enquanto isso, Joe Kidd (1972)


Colocava-se do lado dos mexicanos, e arrasava com o bando liderado por um Robert Duvall ainda com cabelo; ao murro, ao tiro, com um balde cheio de água e de comboio adentro de um saloon.

Contagem final

Finalmente! E não é ficção científica de pechisbeque, nem qualquer reaparição da banda parola dos anos 80, mas antes a mais pura das realidades, como se fora um filme de Kubrick, por sinal. Um, dois, três dias? 24, 48, 62h? Mais? Menos?

As desvantagens da TV Cabo:



Constatar como há filmes que envelhecem muito mal, quando não eram tremendamente mal feitos, e nunca nos tínhamos apercebido disso quando os vimos da primeira vez, há anos (demasiados). Foi o que me aconteceu com «O Ouro de MacKenna» (1969), excepção feita à música.

Denzel Washington ganhou o ...


Stanley Kubrick Britannia Award for Excellence in Film. Só agora soube, pelo que fica aqui o meu pedido de desculpas pelos eventuais danos causados a quem já sabia do prémio.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

E Praga cada vez mais perto

A culpa tem sido de Meyrinck, mas também de Michael Palin e do seu périplo recente aos países da Europa de Leste. Agora é uma questão de programação, via Dorling Kindersley

As vantagens da TV Cabo:


Poder rever «The Black Windmill» (Por um Punhado de Diamantes), de 1974, filme de espionagem de Siegel, com um elenco de luxo (A thriller in which a hunt for the kidnapped son of a British secret agent ends at the Jack and Jill windmills at Clayton on the Downs above Brighton). Abençoados anos 70.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Debaixo do abeto (5):


Ou como um calhamaço dispensável dá origem a 1 CD de Barry White (The Ultimate Collection), 1 CD dos Pink Floyd (Wish You Were Here) e 1 livro de Dostoievsky (O Duplo). Que grande prenda!

Debaixo do abeto (4)




WILMAAAAA! Vou poder revê-los, na totalidade da primeira série (a que vale), finalmente. Uns sapatos e uma mala de crocodilo, já?

Com saudade:


Gilbert e Garbo



Pola Negri



Rudolfo Valentino



Louise Brooks



Douglas Fairbanks



Pearl White



Francesca Bertini



Lyda Borelli



Clara Bow


Os teus ícones, conforme os fui arquivando, sem ordem nenhuma, apenas o par lá de cima, teu predilecto dos predilectos. Do mudo, bem entendido, que do sonoro eram a Bergman, a Magnani, a Signoret, Vivien Leigh, Pier Angeli, mais Gabin, Ventura, Belmondo, Nero, Mitchum, De Niro, Brando, Cagney, E.G.Robinson, Garfield, Raft, Cooper, Bronson e tantos outros.

Já me esquecia: ontem, não me esqueci de ouvir «La Amapola»:


quinta-feira, janeiro 03, 2008

Seriam 99 anos, hoje!



Por ti, muito deste blogue e de tudo o resto. Mais um excerto de um dos teus (e meus) favoritos.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Enquanto isso, eram devoradas 100 páginas de uma assentada


Ao ritmo de uma prosa prodigiosa do austríaco Meyrink, seguindo os labirintos mentais e físicos de uma Praga judia em torno de Golem, o homem de barro, em edição recomendável da Vega, com capa decalcada de um dos planos mais bem conseguidos do cinema de Paul Wegener.

Debaixo do abeto (3): «Taxi Driver»


Ainda edição de coleccionador. Ainda e sempre o melhor filme de Scorsese.

Debaixo do abeto (2): «Bullit»


Também em edição de coleccionador, o meu policial preferido. O Mustang, a música, a Bisset e McQueen. Choac, again.

Debaixo do abeto (1): «Blade Runner»


O meu 2º favorito, em caixa de coleccionador, conforme constava da lista enviada ao Sr. Pai Natal. Choac, I love you!