terça-feira, maio 12, 2015

100 anos de Orson Welles!


Um pouco por todo o mundo, literalmente (desde cinematecas e universidades dos ainda ingratos E.U.A. a cinemas e festivais por Brasil, Inglaterra, Itália, França, claro, Polónia, Alemanha, e Suíça - sim, a que Harry Lime parodiou indelevelmente em «O Terceiro Homem»), celebra-se o centenário do nascimento de Orson Welles, nascido a 6 de Maio de 1915, em Kenosha, no estado do Wisconsin, e Lisboa e a Cinemateca Portuguesa a isso não podiam ser indiferentes, e muito bem, ainda que o génio mereça sempre muito mais que uma retrospectiva a 8 dos seus quase 50 filmes, entre as longas e as curtas-metragens, completas e inacabadas, do seu legado.

Seja como for, e como a TV já raramente os passa, nada melhor do que aproveitar esta oportunidade e rumar ao Museu do Cinema para rever na tela alguns momentos-chave da 7ª Arte, da exclusiva responsabilidade de Welles: o trenó da infância desaparecida e o esgar labial final de Charles Foster Kane, em «Citizen Kane», a cavalgada pela neve e os planos na escada da mansão dos «Magnificent Ambersons», a sequência das três parcas e o olhar esgazeado de Macbeth pelos corredores do castelo de Cawdor, os claros-escuros de Otelo e Iago e aquelas muralhas de Essaouira, o baile de máscaras e o frame de Mr. Akadin aos comandos do seu avião.

Um dia fazer-se-á a homenagem devida a Welles, exibindo-se todos os seus filmes (aí já todos completos) mais os em que participou, mesmo os “abaixo de cão”, e a rádio há-de emitir ininterruptamente o teatro radiofónico da sua Mercury, intercalado pelo relato pormenorizado da terrível invasão de marcianos de «A Guerra dos Mundos», de Wells (sem “e”). E haverá magia e truques pelo próprio Orson, réclames para todos os gostos, muitos charutos e whisky, touros de morte e Rita e Oja, pelo menos essas duas, e Joseph Cotten, claro. Tudo como se se tratasse do fabuloso plano-sequência inicial de «Touch of Evil».

E no fim ver-se-á o microfone desaparecer do nosso campo de visão e ouviremos apenas: «I wrote the script and directed it. My name is Orson Welles».


In O Diabo (12.5.2015)

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